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28 de outubro de 2020

Pedro Haueisen: uma história de sonho, perseverança e realização

Nosso ex-aluno Pedro Haueisen, goleiro do time B do renomado Benfica, de Portugal, um dos oito maiores times de futebol do mundo, foi o convidado especial de mais uma aula online, ao vivo, de Educação Física, organizada pelos professores Cristiano Jardim e Renata Ranieri.

A história do Pedro com o futebol começou desde muito novo, nas quadras do Colégio Santo Agostinho, onde sempre gostava de jogar no gol. No bate-papo com nossos alunos, Pedro contou um pouco da sua trajetória, desde quando saiu do Colégio Santo Agostinho até chegar onde está hoje:

“Eu tinha um colega que jogava no Cruzeiro e, ao me ver jogar no Colégio, me chamou para fazer um teste no Clube.  Eu aceitei e fui falar com meus pais. Para eles, era algo novo e inesperado por isso, foi preciso insistir um pouquinho. Fiquei mais ou menos um ano tentando convencer meus pais, até que eles aceitaram e eu fiz o teste. O treinador gostou, falou que tinha muita coisa pra melhorar, mas achou que eu tinha jeito e disse que gostaria que eu ficasse no Clube.

Os momentos que a gente mais cresce é quando a gente sai da zona de conforto. Eu estava no Cruzeiro já há alguns anos e, no ano de transição para a Toca, recebi a proposta de uma escola na Tailândia, que tem parceria com o Clube, para ir jogar lá, com bolsa. No início, foi um grande choque para mim e para os meus pais, mas a ideia não me assustou porque eu estava disposto a ‘correr o risco’. Eu tinha somente 12 anos. Então, demorou algum tempo até que meus pais e eu conhecêssemos mais sobre o projeto e acreditássemos que este era um caminho que valia a pena.

Um ano depois, eles me chamaram novamente. Nesta ocasião, já tinha na escola da Tailândia um treinador brasileiro, que havia me treinado no Cruzeiro, tinha treinado também o meu irmão. Além disso, estava indo também outro brasileiro, que eu já conhecia e isso ajudou um pouco na tomada de decisão final. Fui então para a Tailândia.

Minha bolsa era para cinco anos.  A proposta era para eu estudar lá e depois fazer uma faculdade nos Estados Unidos. Mas, mesmo sabendo que estava indo num contexto relacionado com a escola, que terei de focar também nos estudos, não deixei de sonhar e de acreditar no futebol.

Sabia que teria dois treinadores muito competentes e que me ajudariam a evoluir no futebol. Chegamos a participar de torneios em Portugal e, através das conexões que os treinadores de lá tinham, meu pai conheceu um empresário que conseguiu arrumar um teste para mim, no Esporte. Eu aceitei mais esse desafio porque, na minha visão, não tinha nada a perder.

Não passei no teste.  Eles disseram que, naquele momento, não estavam precisando de goleiro. Meu pai ficou bastante chateado, mas conseguiu arrumar outro teste para eu fazer, desta vez, no Benfica. Fiquei treinando por uma semana, eles gostaram, pediram para eu voltar e, depois, disseram para eu ficar definitivamente”.

A vida de goleiro em Portugal e as lições aprendidas

Ao responder as perguntas dos alunos, Pedro Haueisen ressaltou as muitas oportunidades de aprendizado e as dificuldades constantes que ele e os colegas enfrentam no dia a dia, em busca da realização dos seus sonhos. Confira:

Você está no time B do Benfica, bem próximo do grande treinador Jorge de Jesus, que foi do Flamengo no ano passado. Você já teve contato com ele? Já o viu dando treinamento?

Já tive uma conversa com ele, logo que ele chegou. Foi bem rapidinho, mas deu pra ver que ele é uma pessoa mais séria. É bacana ver que estamos muito próximos. Quando eu treino com o time B, o campo é muito próximo do campo do time principal. Dá para ouvir ele falando com os jogadores, dando as instruções. Para mim continua sendo um sonho chegar ali, treinar naquele campo. Mas dá pra perceber que o sonho já não está distante, é quase realidade.

Fale um pouco sobre como são os treinos, o modelo de jogo dos Portugueses.

O futebol europeu é mais tático do que o brasileiro. Quando eu cheguei, senti que o Benfica tinha um modelo de jogo para os goleiros que visava a inclusão deles no jogo: saber jogar com os pés, incluir o goleiro na saída de pressão, o goleiro fazer a cobertura dos zagueiros... eu já vinha treinando isso,  tinha um certa base, mas esse tipo de posicionamento passa por todas as categorias do Benfica. Esse é um pedido dos treinadores do time B, do time principal, de todas as categorias.

 Você já foi convidado para jogar pela seleção portuguesa?

Sim mas, por uma nova regra da FIFA, não pude ir. Só de saber que eles estavam observando o meu trabalho e receber o convite foi uma motivação a mais para mim. E saber também que se já fui chamado para a seleção portuguesa, é possível ser chamado também para a seleção brasileira, que é um sonho que eu tenho.

 A Base do Benfica é muito bem avaliada mundo a fora. Para você isso é mais um motivo de esperança?

O Benfica tem um projeto muito bom da base e isso dá bastante confiança aos jogadores. Não são todos os clubes que apostam nisso. Existem vários jogadores que foram formados aqui e que estão jogando em grandes clubes. Isso é uma grande motivação porque a gente sabe que o nosso trabalho não será em vão.

 E com relação à língua, você já se adaptou ao Português de Portugal, já aderiu algumas palavras?

Obviamente, quando cheguei a Portugal foi muito menos complicado do que na Tailândia, com o Inglês. Mas, no início, também em Portugal não foi muito fácil porque eles falam muito rápido, o sotaque é diferente, algumas palavras são diferentes. Mas hoje já acostumei, tenho até um pouco de sotaque.

Quais foram as maiores dificuldades que você já enfrentou e o que mais te fortalece quando você pensa em sua carreira.

Acho que eu não tive um momento de dificuldade que se destacasse. No futebol, eu e meus colegas, temos dificuldades constantes, porque o futebol é um meio muito irregular. A gente tem saudade de casa, leões que podem atrapalhar a gente a jogar em jogos importantes.

Precisamos aprender a lidar bem com isso. Já tive momentos que parecia que nada estava dando certo, eu estava triste, com saudade de casa, chegava no treino e não treinava bem.  Mas o que sempre me ajudou a ultrapassar esses momentos é saber que eu tenho um suporte em casa. É saber que a qualquer momento eu posso contar com meus pais, com o meu irmão, pra tudo o que eu precisar. É saber que, se algum dia, por acaso, essa carreira não der certo, ou se eu não quiser mais, por alguma razão, posso conversar com meus pais, posso contar com eles para me ajudar. Enfim, saber que tenho pessoas que estão comigo pra tudo. Nos momentos mais difíceis é nisso que eu foco. Eu tento relembrar também a razão pela qual eu estou aqui, que é buscando realizar meu sonho.

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