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30 de novembro de 2020

Paulo Azeredo: o jornalismo esportivo como trajetória de aprendizados

“Ter o trabalho reconhecido é legal, mas precisamos ter cuidado para não perder nossos valores”

O jornalista Paulo Azeredo, nosso ex-aluno, que hoje se destaca no jornalismo esportivo, foi o convidado especial de mais uma aula online, ao vivo, organizada pelos professores Cristiano Jardim (Xingu) e Renata Ranieri.

Paulo Azeredo é formado em Relações Públicas e em Jornalismo e atua, há 13 anos, na área de esporte. Nesse bate-papo com os alunos, ele conta que estudou no Colégio Santo Agostinho por 12 anos e, nesse período, sempre participou das equipes esportivas do Colégio. Atualmente é narrador e comentarista esportivo na Rádio Inconfidência e na TV Horizonte. Recentemente, lançou também o canal Paulo Azeredo no Youtube.

Confira abaixo o que disse o jornalista sobre várias questões ligadas ao mundo do esporte e à sua profissão:

Torcedor X jornalista esportivo

Eu também sou torcedor e tenho um time de futebol, mas prefiro falar sobre ele apenas pessoalmente, para evitar polêmicas. Quando voltarem as aulas presenciais podem perguntar ao Xingu que ele está autorizado a falar ou quando vocês se encontrarem comigo na rua, podem me perguntar que eu conto, ok?

O jornalismo esportivo sempre esteve em minha veia. Meu pai tem uma culpa grande nisso. Ele sempre gostou muito de rádio e, toda vez que viajava, comprava um rádio diferente. Na minha casa havia uns 30 rádios e, com isso, eu acompanhava as notícias de esporte o tempo todo. Quando comecei o curso de Relações Públicas, logo procurei um estágio no “Marco”, um jornal interno que a PUC tinha. Infelizmente ele não existe mais. Lá, sempre sugeria pautas de esporte. Além disso, também me aproximei de um professor dono de uma agência que fazia o placar da Uol. Logo depois, surgiu para mim um estágio voluntário na Rádio Inconfidência. Ia trabalhar a pé e chegava na rádio todo suado. Levava sempre duas camisas para trocar quando chegasse lá. Depois, consegui um estágio remunerado, pouca coisa, mas remunerado. E assim foi. Nesse meio do esporte, a gente tem de criar oportunidades, desembolar.

Realização profissional

Sou narrador, mas como jornalista esportivo foi mais fácil para mim. Já cobri jogos do Cruzeiro, do Atlético, do América. Dava sempre carona para o Fred, que hoje tem até avião. Nesse meio, a gente vai conhecendo pessoas, conversando e ficando cada vez mais próximo da “galera”. Já tive a oportunidade de realizar um grande sonho como jornalista, que era cobrir uma copa do mundo. E a primeira copa que eu cobri foi fora do país. Fiquei 38 dias na África, rodei 8 mil quilômetros de carro. Tinha de ser de carro porque era tudo muito caro.

Contrato com a Fox Sports

Faço apenas participações na Fox. Já tive algumas conversas para ir não só pra lá, mas também para outros meios de comunicação, mas ainda não “rolou”. A Fox é um canal aberto que eu tenho e agradeço muito por isso. Tenho imenso prazer de participar lá, com a turma, principalmente com o João Guilherme, de quem eu sou muito fã.

Meu pai me ensinou que a vida é feita de relacionamentos. Ele sempre diz: aonde você for, você tem de ser, primeiro, você mesmo. Depois, você tem de tratar bem desde o pessoal da limpeza até o presidente. Outra coisa que ele me ensinou é que ética é o que você faz sem que ninguém esteja vendo. É isso que eu tenho levado para a vida.

Para além de qualquer interesse, é preciso lembrar também que, no jornalismo, todo mundo é fonte. O porteiro, o faxineiro, o diretor, todo mundo é fonte! Como repórter, eu tinha fontes inimagináveis, mas isso não acontece somente no jornalismo. Aqui, entre os estudantes, provavelmente temos futuros administradores de empresa. Se você for uma pessoa acessível a todos, certamente saberá se o pessoal está gostando ou não de trabalhar na sua empresa, se está ocorrendo algum problema, o que é preciso melhorar...

Valores humanos como referência

Ter o trabalho reconhecido é legal e todos querem ter, em todas as áreas. Mas a gente precisa ter cuidado para não perder nossos valores, sobretudo, pela questão da vaidade porque o sucesso é relativo. O que é sucesso para mim? É ser famoso, ter o trabalho reconhecido? Cada um tem um jeito de encarar o sucesso. Acredito que o importante é estar sempre com a consciência tranquila.

Relação jornalista, técnicos e jogadores

Eu procuro ter uma relação profissional com os técnicos e jogadores. O único treinador, dirigente, jogador, com quem eu tenho uma relação mais próxima é o Marcelo Oliveira, que hoje está na Ponte Preta. O filho dele estudou no Colégio. Ele é meu amigo desde a época que era técnico na base do Atlético. Mas, se eu tiver que fazer alguma crítica a ele, farei com muito respeito e sem nenhum problema. Como jornalista, uma coisa que eu levo comigo é o pensamento que vida pessoal do atleta é vida pessoal. Assim, sempre critico o que vejo em campo, não o que o jogador faz em sua vida pessoal.

Contratação de técnicos estrangeiros

Acho que a contratação dos técnicos estrangeiros só vem para agregar. Mas não é porque são estrangeiros que são melhores do que os brasileiros. É claro que existem várias nuances que podem atrapalhar o trabalho de um técnico, seja estrangeiro ou brasileiro.  Na minha opinião, o técnico brasileiro mais promissor que temos hoje no mercado é o Rogério Ceni. Penso que ele vai fazer um bom trabalho no Flamengo. Já o Sampaoli, para mim, é um gênio pela forma como trabalha no time do Atlético, que é um bom elenco, mas não é muito superior aos demais. No entanto, gênio também erra. Vejo muita gente falando que não se pode criticar quem perde porque tem de ver o mérito do adversário. Penso que ver o mérito do adversário não me impede de criticar o time que perdeu, que não jogou bem.

Instagram: @phazeredo

 

 

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