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26 de fevereiro de 2024

Fósseis, a memória da vida

por Professor Daniel Coscarelli

"A Ciência nos ensina que os seres vivos, assim como os materiais, estão em constante transformação. Os materiais se transformam de forma física ou química. Os seres vivos passam por um ciclo de vida e, à medida que as gerações vão passando, as espécies vão mudando. Quem rastejava, aprende a andar. Quem andava, aprende a voar, a nadar ou a mergulhar em uma diversidade de formas e ambientes.

A Geografia nos ensina que as rochas e o solo também se transformam. À medida que as rotações dos dias se tornam as translações dos anos, o que era rocha, agora é sedimento. O que era sedimento, agora é uma nova rocha. Vales se tornam montanhas, rios mudam seus cursos, lagoas de enchem ou secam e continentes mudam o desenho do planeta.

A História, por outro lado, nos ensina a ler os registros do passado e nos responde: De onde viemos? Como temos que agir hoje para chegar em um lugar melhor amanhã? A irmã da história é a memória. A memória de um povo, é o patrimônio. Mas, uma das primeiras coisas que se aprende em História no Sexto Ano é que, para descobrirmos a origem do ser humano, precisamos “ler” os fósseis do passado.

Em 2023, o Sexto Ano aprendeu tudo isso. Memória foi a palavra que deu o tom dos sons e das cores da Arte, da Produção de Texto, da Língua Portuguesa e vários outros momentos e espaços. No final do ano, após meses de construção de novas memórias e aprendizagens, os alunos foram desafiados por um comando pelo professor de Ciências: “Na próxima aula, tragam vestígios de seres vivos.” Os vestígios chegaram de várias formas. Desde folhas coletadas nos jardins da escola, insetos mortos, esqueleto de animais marinhos, penas de pássaros, ossos que são restos das nossas cozinhas, até mesmo um pobre e podre calango atropelado, coitado.

Chegando na aula de Ciências, fomos todos para a sala de Artes. Os vestígios trazidos pelos alunos foram imersos em um sedimento conhecido da Geografia, a argila! Mas não era apenas uma argila. Eram muitas argilas, de várias cores e consistências, perfeitas para serem misturadas de forma criativa, artística, divertida e capaz de se infiltrarem em cada fresta, forma, pata, nervura. A partir daí, as transformações continuaram.

Confira fotos do processo. 

A água da argila evapora, as fases da mistura se separam, o que era maleável se torna rígido. As placas de argila foram empilhadas e compactadas da mesma forma que as camadas de sedimento se acumulam no fundo dos vales e lagos. Na Geografia, os alunos aprenderam que esse sedimento acumulado se torna a rocha sedimentar. Na Ciência, eles aprenderam que se aquecermos a argila o bastante, ela se transforma em cerâmica, um novo material. Mas cerâmica não é coisa da professora de Arte? Mas a professora de História não disse que cerâmica é coisa dos antigos gregos e egípcios? Cerâmica é tudo isso e muito mais! Cerâmica é, inclusive, um ótimo modelo para imitarmos uma rocha sedimentar da Geografia que, por sua vez, é a rocha que pode registrar as formas dos seres vivos do passado, como disse o professor de Ciências.

Depois dessa mistura heterogênea de aprendizagens, os vestígios dos seres vivos imersos na argila foram levados a um ateliê de cerâmica e queimados a 1220oC. Nessa temperatura incandescente, os fósseis foram forjados! O que era orgânico, se queimou e se perdeu. O que era argila, se transformou em cerâmica e guardou a forma dos seres perdidos. Após um lento resfriamento, os fósseis retornaram ao Colégio e estão expostos para os alunos se encontrarem com todas as formas, cores, texturas e detalhes registrados com a força de uma rocha e com a delicadeza de uma bela arte. Arte e rocha que guardam mais uma memória do nosso Sexto Ano."


Professor Daniel Coscarelli 


EXPOSIÇÃO: As peças de cerâmica estão em exibição no pátio do Colégio! Venha explorar esta exposição única, aberta às famílias durante os meses de fevereiro e março.

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