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20 de abril de 2021

Felipe Félix fala aos alunos da 1ª série sobre o E-Sport e suas tendências no Brasil

Felipe Félix, responsável pelo E-Sport da ESPN, falou aos alunos da 1ª série do Ensino Médio, na aula online, ao vivo, dos professores de Educação Física, Cristiano Jardim (Xingu) e Renata Ranieri, pela plataforma Teams.

Formado em Publicidade e Propaganda, Félix, de 32 anos, mora em São Paulo, onde trabalha com E- Esporte, há 7 anos, e com vídeo game, há 10 anos. Atualmente é responsável pelo E-Sport da ESPN. Trabalha também no Grupo Disney.

Felix conta que foi jogador de handebol dos 10 aos 19 anos de idade e que vem de uma família que gosta muito de esportes, sendo que o pai e o irmão também foram atletas.

Depois de fazer o curso de Publicidade e Propaganda, se ingressou no mundo dos “games”, inicialmente, fazendo descrição de jogos em flash, em alguns sites de download.

Trabalhando em agências de publicidade, atendia clientes tradicionais, mas também clientes da área do vídeo game como a Warner, por exemplo.

“Não sou jornalista, mas já estive jornalista e, como jornalista, fiz a preparação de pauta do primeiro legging rangers”, afirma Félix.

Ao sair da agência de publicidade onde trabalhava, Felix decidiu se dedicar “full time” ao vídeo game. “Resolvi criar um projeto para, eventualmente, vender para a TV. Apresentei o projeto para a diretoria do ESPN e fomos a primeira ESPN, no mundo inteiro, a transmitir E-Sport”, conta com entusiasmo.

Depois de falar sobre as suas escolhas, os desafios e as conquistas do E-Sport, Felix respondeu a algumas perguntas apresentadas pelos alunos, abordando questões como o mercado de trabalho do vídeo game e a presença feminina no E-Sport. Confira:

O mercado do vídeo game

“O mercado do vídeo game, de maneira geral, ainda não é um mercado mainstream. Ele está se tornando um mercado mainstream agora, principalmente, com esta questão de serviços.

Existem muitas barreiras para jogar um vídeo game. Se você quer jogar um Playstation 4, por exemplo, é preciso comprar o Playstation 4, possuir uma TV e ainda comprar os jogos.

Para os que planejam trabalhar com vídeo game, penso que antes de a gente falar de serviços para as pessoas que têm poder aquisitivo para comprar um vídeo game, devemos olhar para os que não têm esse poder aquisitivo”.

Nos dias de hoje, o que começa a sair da bolha é o mercado mobile. O mercado mobile consegue democratizar o vídeo game não só na parte da tecnologia, mas também no que se refere à questão social. O Free Fire, por exemplo, é um jogo que pode ser jogado em qualquer aparelho celular.

Por que as mulheres ainda têm presença tímida no E-Sport?

“A gente procura dar sempre espaço para que tenham mais mulheres não apenas jogando, mas também falando, de maneira geral, de E-sport.  No entanto, existem vários fatores que dificultam esta presença, entres eles, a construção social e a educação familiar. Dentro da norma social existente, é mais intuitivo para o pai ou para a mãe dar um vídeo game para o menino do que para a menina. Normalmente, o homem não precisar pedir para ganhar um vídeo game, mas a menina precisa.

Existe também um distanciamento competitivo feminino por culpa dos homens, que hostilizam a presença feminina na competição. Nós, homens, somos responsáveis por isso quando a gente vê alguém ofendendo alguma mulher e ficamos calados.

O que eu tento fazer é dar mais espaço não somente para as mulheres mas também para todos os que defendem causas sociais. Em relação às mulheres, acredito que somente daqui a uns 10 anos o E-Sport conseguirá ter mais mulheres jogando porque ele se baseia no modelo esportivo tradicional, que ainda faz segregação de gênero.

Acho que os torneios femininos podem ajudar muito para que as meninas começassem a enxergarem o E-Sport como sendo também lugar delas”.

Experiência vivenciada

A aluna Raquel Vallim Ribeiro, que participou da aula e apresentou a pergunta sobre a presença feminina no E-Sport, falou sobre sua experiência como jogadora de vídeo game:

“Penso que a gente precisa muito de propaganda. Eu gosto de jogar e quando encontro uma mulher jogando, fico muito feliz. Por isso, acho que tem de aumentar a propaganda das mulheres jogando. Acredito que isso fará aumentar a presença feminina no E-Sport. Eu gosto de jogar e quando jogo mal sempre me xingam. Então, eu comecei a ignorar e a tratar isso como uma coisa normal do dia a dia, porque se eu achar que isso é um peso, eu não vou mais jogar. Sou apaixonada por vídeo game e estou conseguindo melhor bastante”.

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