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17 de setembro de 2021

Entra na Roda: venha viver o compromisso de amor na ciranda da vida

A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 - CFE, com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef. 2.14), foi inspiração para construção do projeto “Entra na roda: Venha viver o compromisso de amor na ciranda da vida”, desenvolvido nas turmas do 7º ano do Ensino Fundamental.

O projeto interdisciplinar envolveu as disciplinas de Ensino Religioso (professora Aline Machado), Espanhol (professora Paula Cardoso), Geografia (professor José Marcelo), Arte (professor Marcos Bonfim) e Língua Portuguesa (professora Luciana Buccini), em parceria com o Departamento de Evangelização, Pastoral e Ações Sociais (DEPAS) e com o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR).

Além de trabalhar as competências e habilidades da BNCC, o projeto buscou refletir com os alunos sobre o sentido da unidade na diversidade, para que eles possam assumir um compromisso de amor verdadeiro, com intuito de ampliar o olhar da cidade para uma sociedade mais justa, solidária e fraterna. 

Precisamos construir pontes no lugar de muros: teoria e prática interligadas  

A partir do cartaz da CFE 2021, os estudantes foram convidados a “entrar na roda” e fazer parte da ciranda da vida por meio de atividades desenvolvidas em cada área do conhecimento, levando-os a refletirem a respeito da construção de pontes no lugar de muros de ódio.

Confira as principais atividades:

Roda de conversa com o venezuelano José Miguel Ocanto

Nas aulas de Espanhol e Geografia, os estudantes participaram de um bate-papo com José Miguel Ocanto, de origem Venezuelana, que deu o seu testemunho de vida. Os estudantes elaboraram perguntas em espanhol sobre os motivos que o levaram a sair do seu país de origem, a diferença do governo, a distinção cultural, as maiores dificuldades enfrentadas, os sentimentos em deixar o seu país, a situação de familiares, amigos etc.

José Miguel Silva Ocanto é estudante de Psicologia e líder estudantil na Venezuela. Tem 25 anos e é um dos refugiados venezuelanos que vivem em Belo Horizonte desde 2018.  Ele teve de sair do país ao sofrer perseguição por fazer oposição ao governo. Segundo ele, infelizmente, ainda há muita desinformação na sociedade, até em órgãos de assistência a refugiados e migrantes, o que dificulta a implementação da lei e fomenta a xenofobia.

Também na disciplina de Língua Espanhola, os estudantes buscaram na internet notícias/reportagens sobre refugiados e imigrantes. Eles, então, analisaram esses textos para compreensão do tratamento dado pela mídia às questões ligadas à temática e refletiram a respeito das fronteiras invisíveis que podem estar um a passo de nós.

A outra face – História de uma garota afegã

Em concomitância à conversa com José Miguel, os alunos fizeram a leitura da obra “A outra face – História de uma garota afegã”, indicada pela professora de Língua Portuguesa, Luciana Buccini. O livro de literatura apresentou para os estudantes a personagem Parvana, uma menina afegã que enfrenta a perseguição do regime talibã. Enquanto liam a obra, os estudantes realizaram uma pesquisa sobre a vida de meninas e mulheres que enfrentaram desafios frente à opressão política, religiosa e social, como Malala. Em algumas aulas, houve discussões e reflexão sobre a vida dessas meninas, principalmente a de Parvana. Essas atividades culminaram na produção de uma cartilha de conscientização. Os estudantes pesquisaram dados estatísticos e informações relevantes sobre a relação do Brasil com os refugiados e criaram frases de orientação sobre como ajudá-los e acolhê-los.

Muros que separam: denúncias imagéticas 

Buscando o engajamento, nas aulas de Geografia, os estudantes foram provocados a produzir um cartaz ou painel publicitário para denunciar os “muros invisíveis” ou “visíveis” que existem nas grandes metrópoles brasileiras: “Muros que separam”, “Muros que impedem o diálogo”, “Muros que excluem”. 

Cada estudante, dupla ou trio criou uma frase impactante de denúncia e ilustrou com imagens marcantes o tema proposto, após discussões que aconteceram nas aulas sobre a urbanização brasileira, além de uma reflexão voltada para a questão “Como a construção do espaço físico também pode contribuir para facilitar ou dificultar o diálogo entre as pessoas?”.

Releitura de “A Dança”, de Henri Matisse 

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Na disciplina de Arte, por ocasião do trabalho sobre as cores, mais precisamente sobre a vanguarda europeia do Fauvismo, os estudantes foram convidados a refletir sobre o contexto de exclusão vivido por vários segmentos sociais, a fim de resgatar sua identidade, cidadania e sentimento de pertencimento em nosso meio, através de produções artísticas – releituras – baseadas na obra “A Dança”, do pintor Henri Matisse.

O principal objetivo foi retratar uma ciranda e incluir nela o projeto, daí o nome de ciranda da inclusão, inspirada na obra do francês Henri Matisse, que foi conhecido por seu uso da cor e sua arte de desenhar fluida e original.

“Uma de suas obras mais famosas é nomeada La Danse, que traduzido para o português significa 'A dança', e foi justamente a obra que utilizamos como a inspiração para o nosso desenho. Ao desenhar, tentei retratar os maiores preconceitos existentes, como o racismo. (...) Uma frase que nosso querido professor nos disse me chamou atenção: 'Aquelas pessoas que são marginalizadas, que são moradores de rua, aquelas pessoas que são invisíveis aos nossos olhos, que nem percebemos que elas estão ali quando passamos na rua. Que moram na rua e não têm um teto para se abrigar.' E aí, fica uma pergunta: o que nos cabe fazer para mudar essa realidade em nosso país? Como incluir as pessoas em nossas vidas, para que se sintam acolhidas, reconhecidas exatamente do jeito que elas são? Cheguei à conclusão, com meus colegas e professor, de que todos nós devemos estar nessa ciranda e ajudar a incluir as pessoas desfavorecidas, já que todos temos os mesmos direitos e somos iguais! Por uma sociedade mais justa!”, completa a aluna Eduarda Alves. 

Os refugiados e seus direitos: por uma cultura de acolhimento e diálogo

Por fim, na disciplina de Ensino Religioso, os estudantes realizaram várias reflexões sobre as fronteiras invisíveis, o compromisso de amor e o processo de humanização em tempos de pandemia, bem como conheceram projetos em Belo Horizonte que “destroem” os muros e “constroem” pontes de diálogo e de amor ao próximo. 

Todas essas oportunidades de reflexão, questionamento e diálogo levaram à construção de websites intitulados “Os refugiados e seus direitos: por uma cultura de acolhimento e diálogo”, com orientação das disciplinas de Ensino Religioso, Língua Portuguesa e Língua Espanhola, conscientizando a sociedade à luz da chamada feita pelo Papa Francisco: “acolher, proteger, promover e integrar nossos irmãos refugiados”.

Live: “Rompendo as fronteiras Invisíveis". 

A culminância do projeto foi a realização de uma live, pelo canal do Colégio no YouTube, promovida pelos estudantes e professores envolvidos no projeto, com o tema “Rompendo as fronteiras invisíveis”.

Os alunos compartilharam com a comunidade escolar as experiências que viveram em todas as atividades promovidas. Na oportunidade, eles convidaram todos aqueles que estavam assistindo a pensar nesse compromisso de amor com o outro.

Confira abaixo como foi esse rico momento de aprendizagem e compartilhamento de experiências.

Compromisso de amor e solidariedade 

Além das atividades propostas nas disciplinas, o projeto tem por objetivo estimular os alunos a participar de um gesto concreto. Embarcando na campanha da Instituição “A fome não espera”, os estudantes foram convidados a doar itens para ajudar os refugiados venezuelanos residentes em Belo Horizonte.

Professora de Ensino Religioso compartilha o projeto na Jornada de Educação da Anec 2021

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O projeto “Entra na Roda: venha viver o compromisso de amor na ciranda da vida” foi compartilhado pela professora de Ensino Religioso, Aline Pereira Machado, na Jornada de Educação da Anec (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil), edição 2021.

Em live com o tema “Os percursos formativos das Licenciaturas: a formação do professor dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio”, a professora, convidada pela associação, apresentou o projeto: “todos os anos, nós somos provocados pela temática da Campanha da Fraternidade, que muitas vezes é algo próprio do Ensino Religioso e da Pastoral da escola. Porém, neste ano, o tema foi propício para que pudéssemos alargar as fronteiras e convidar outras áreas do conhecimento para entrar nessa roda e fazer parte desse diálogo. E foi aí que tudo começou”. A professora Aline ainda destacou que gostaria, com o projeto, que os alunos vivessem uma experiência de sentido e que pudessem levar um ensinamento, um aprendizado para a vida.

Confira a seguir a participação da professora.

Com o tema “Narrativas e conexões pedagógicas da Educação Católica”, a Jornada de Educação da Anec 2021 trouxe como fonte o educador, buscando reflexões que demonstrem a conciliação entre o conhecimento acadêmico e a prática e experiência desenvolvidas no dia a dia em uma escola católica.

Clique AQUI e confira a live completa:

Uma educação pautada em uma pedagogia integradora, reflexiva e transformadora      

Para a professora de Ensino Religioso, Aline Pereira Machado, esse trabalho impulsiona a propor novos projetos “e nos leva a colocar cada vez mais em prática uma educação pautada em uma pedagogia integradora, reflexiva e transformadora. Sabe-se que ainda temos muito que caminhar ao se pensar nesse fazer pedagógico, mas se 'o caminho se faz caminhando', como já dizia Paulo Freire, que tenhamos força e coragem para propor percursos educativos cada vez mais alinhados com o século XXI”, completou.

 

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