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28 de abril de 2021

Aprendendo História com leveza e descontração

Em 2021, a disciplina de História da 1ª e da 3ª série do Ensino Médio, com a professora Renata Andrade, tem uma nova proposta de atividade: proporcionar aos estudantes um momento de aprendizagem descontraído e leve.

Nesses encontros, eles devem ter consigo água, café, suco e biscoitos. A ideia é aprender e desfrutar de um momento menos tenso, tendo em vista a realidade que vivemos. A cada encontro participa um convidado especial. O primeiro deles foi um café filosófico, realizado na 3ª série, no dia 16/04, em que o professor e gestor pedagógico, Renato Daniel de Faria, falou sobre o pensamento da filósofa Hannah Arendt.

A história de Hannah Arendt

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Renato começou lembrando que Hannah Arendt é uma filósofa, alemã, judia, que fez uma trilha muito interessante dentro da Filosofia e da Teologia. Ela foi aluna de um dos maiores filósofos da contemporaneidade: Martin Heidegger. Ele era seu professor na universidade de Berlim mas, logo depois, foi ser reitor. Heidegger recebeu a reitoria do partido nazista, o que fez com que Hannah Arendt se sentisse traída. Os dois tinham também um relacionamento amoroso. “Hoje não existe nenhuma conotação de que ele tenha se aliado ao nazismo. Mas ter dito sim a um convite do partido e a tudo o que isso representava, a deixou muito chateada e os dois romperam o relacionamento”, disse o professor.

Ele explicou que “Hannah Arendt chegou a ficar algum tempo em um campo de concentração de onde conseguiu fugir. Isso fez com que ela, uma das maiores pensadoras políticas da contemporaneidade, vivesse a vida inteira como apátrida, porque Hannah fugiu para os Estados Unidos, onde construiu carreira acadêmica, mas não tinha cidadania americana. Então, ficou distante do seu povo, distante da sua terra e, dentro da perspectiva americana de pensamento, seguiu sua trajetória. Como fruto do seu tempo, Hannah Arendt se debruçou sobre os regimes totalitários da modernidade, tanto o estalinismo quanto o nazismo. A filósofa refletiu não sobre esses regimes propriamente ditos, mas sobre o pensamento das pessoas dentro deles. Ela não gostava de ser chamada de filósofa, nem de cientista política. Dizia que era uma pensadora do seu tempo”.

“Eichmann em Jerusalém”

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Para ajudar a entender as reflexões da filósofa sobre o comportamento humano, Renato lembrou o livro, de sua autoria, “Eichmann em Jerusalém”,  fruto de um convite que ela recebeu do New York Times, para fazer uma reportagem sobre o Eichmann, um oficial nazista que conseguiu fugir, foi pego na Argentina e julgado em Jerusalém. Ao acompanhar o julgamento, ela decidiu relatar, neste livro, o que percebia em Eichmann. A partir daí, passou a fazer também várias reflexões sobre a alma humana.

Reflexões sobre a alma humana

“Hannah Arendt parte do pressuposto que nós temos uma vida de espírito interior e que somos quem somos a partir da reflexão, por meio da qual podemos dizer sim e não. Esse é um compromisso que a gente faz com a gente mesmo. Portanto, quando falamos de reflexão não estamos falando de inteligência ou de conhecimento. Reflexão é a capacidade de julgamento que cada espírito tem para avaliar moralmente as coisas”, explicou o professor.

Instigando a reflexão dos estudanters, Renato perguntou: “Será que dizer sim ou não irrefletidamente é ético? Será que dizer sim ou não e voltar para casa, no final do dia, sem poder justificar para si mesmo o sim e o não que você disse é ético? Será que com essa vida que nós levamos, quantificando o tempo em relação às coisas e sem oportunidade de parar para pensar no que estamos fazendo, não estamos em uma cadeia na qual promovemos a morte?”.

No bate-papo, Renato Daniel falou ainda sobre como estamos banalizando o mal nos dias de hoje; a dificuldade que temos para lidar com o diferente, a busca da liberdade e o egocentrismo. Na opinião dele, “somente por meio da reflexão é possível alcançar a evolução humana”.

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