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26 de agosto de 2020

A experiência de estudar e também ser atleta no exterior

Um tema um pouco diferente dos que foram tratados anteriormente, mas de grande interesse de muitos estudantes que sonham em fazer a graduação fora do Brasil, foi apresentado aos alunos, na aula de Educação Física online, ao vivo: a experiência de estudar e também ser atleta no exterior.

Para falar sobre o assunto, os professores Cristiano Jardim (Xingu) e Renata Ranieri convidaram a atleta de vôlei, Isadora Nicolai, que está vivendo essa experiência, nos Estados Unidos.

Isadora, 21 anos, foi atleta do Minas Tênis Clube desde os 11 anos de idade e, depois de morar por um ano na Flórida, mudou-se para o Alabama, onde, hoje, concilia o curso de jornalismo com a vida de atleta.

No dia a dia, uma rotina pesada

“Quem é atleta e participa de competições, já sabe que o atleta e o sacrifício andam de mãos dadas. Ao longo da minha vida como atleta aqui no Brasil, sempre precisei fazer sacrifícios com relação a alimentar bem, dormir cedo, ter restrições em minha vida social”, afirma Isadora.

Segundo ela, nos EUA não é diferente. Mora na faculdade e a vida toda dela se concentra lá.  Dorme, treina e estuda, tudo no mesmo lugar. E a rotina é pesada. “Eu sempre gostei de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Então, a organização do tempo é uma parte vital da minha vida para fazer tudo funcionar. Acordo mais ou menos às 5h30 da manhã e vou fazer meu treino extra na academia. Faço um treino às 7h, depois faço outro treino, com a minha equipe, também na academia. Tomo banho e vou pra aula. Tenho aula a manhã toda, almoço e à tarde tenho mais aulas... dependendo da minha disponibilidade, também encaixo no meu dia a dia horários para fazer yoga, pilates e outras modalidades, que a minha faculdade disponibiliza. À noite tenho ainda duas horas de treino com bolas. Por volta das 21 horas, quando acaba o treino, vou para o meu quarto estudar. Durmo por volta da meia-noite. Às vezes, aos domingos, tenho uma folguinha”, conta a atleta.

Hoje Isadora consegue conciliar a vida de estudante com a de atleta, mas nem sempre foi assim. “No Brasil, tive um técnico que se preocupava muito com a gente como pessoa, não somente como atleta. Queria sempre saber se estávamos estudando, aconselhava as atletas a estudar inglês, no entanto, essa era uma preocupação pessoal dele. O Minas Tênis tem convênios com algumas faculdades. Mas, como organização, não posso dizer que o Clube me incentivasse a estudar”, afirma.

Para Isadora, hoje em dia, ser atleta profissional no Brasil e fazer faculdade é uma combinação pouco viável. Enquanto aqui a prioridade é sempre o clube, que é quem tem o poder do esporte, no exterior quem manda, na verdade, são as faculdades. 

A participação dos alunos

Depois de falar sobre sua rotina de treinos e de estudos, Isadora respondeu as perguntas dos alunos: 

Existe uma Liga profissional de vôlei nos Estados Unidos?

Não existe. Já houve algumas tentativas, mas no cenário do esporte americano o vôlei não tem muito público. Este ano, surgiu um novo projeto e várias estrelas do voleibol americano já confirmaram presença. Acho que, talvez, esse possa ser o pontapé inicial para uma Liga de sucesso, principalmente, porque vai atrair muito público e patrocínio. Além disso, hoje em dia o vôlei está crescendo muito no cenário mundial esportivo.

A percepção que a gente tem, ao assistir alguns jogos, é que o vôlei nos Estados Unidos tem um nível muito mais elevado do que o vôlei brasileiro. Você teve muita dificuldade?

Depende muito do jogo que você assiste. O nível elevado é das grandes faculdades. O universo do vôlei nos Estados Unidos é muito grande. Enquanto aqui temos poucos atletas de vôlei, lá temos cerca de 3 mil atletas, com níveis diferenciados. Existem times de ótima qualidade, mas outros nem tanto.

Durante a pandemia como você está fazendo para manter a rotina dos treinos?

Tem sido muito complicado. No início não estava tendo acesso à academia. Agora, já tenho. Também existem muitos aplicativos na internet com exercícios para fazer em casa. Tenho também uma espécie de “convênio” com um personal trainer dos Estados Unidos, que também me passou vários exercícios para fazer em casa. Todos os dias, mesmo nos dias que estou sem vontade, eu  me obrigo a acordar, trocar de roupa para vencer a vontade de ficar na cama. Todos os dias eu corro, faço academia... Com relação ao vôlei, que é um esporte coletivo, não é fácil jogar sozinha. Mas é importante manter o contato com a bola. Se tiver pelo menos uma parece é possível manter pelo menos um pouco desse contato com o esporte. Todos os dias eu toco, ataco, rebato um pouquinho com a parede, mesmo que não seja o ideal...

Você sentiu muita diferença do estilo tático do Minas Tênis para o estilo tático do seu time da universidade?

O estilo tático depende muito do técnico, mas também dos atletas disponíveis no time. No Minas tínhamos meninas muito altas, que estavam em contato com o esporte com o objetivo de se profissionalizar, assim como eu. Então a gente tinha uma habilidade técnica maior e que se aproximava mais do time profissional do que o time em que estou agora. O time em que eu estava na Flórida, tinha meninas altas, algumas não tão habilidosas, mas o time era muito talentoso. Então, a gente conseguia fazer um jogo mais rápido também, mas não tanto quanto o do time do Minas.  Eu, como levantadora, tenho que me adaptar ao estilo de jogo das atacantes que o time tem. Por outro lado, as vezes o que muda é o estilo tático do técnico. Uma mesma base de time pode variar muito o seu estilo tático, devido o estilo tático do seu técnico.

Nos Estados Unidos existe algum suporte, cuidado especial com atleta?

Com relação ao acadêmico, a excelência é uma exigência da faculdade. Temos de manter uma média nas notas. Então, eles disponibilizam tutores, não somente para os atletas e, sim para todos os estudantes da faculdade. Esses profissionais também nos oferecem orientações sobre como conciliar os horários entre os estudos e o esporte.

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