Notícias

01 de setembro de 2020

Esportes de aventura: o que temos a aprender com eles?

Após trabalhar fatos históricos e políticos dos jogos olímpicos com os alunos da 2ª série do Ensino Médio, nas aulas on-line, ao vivo, de Educação Física, os professores Juliana Nahas e Roberto Ferraz convidaram especialistas para participarem de uma nova série, desta vez, abordando os esportes de aventura.

Juliana Nahas explicou que as modalidades escolhidas: Slackline, Parkour e Skate foram pensadas especialmente para esse momento de pandemia por apresentarem possibilidades de atividades físicas, que podem ser feitas de forma individual e ao ar livre.

Slackline: o equilíbrio está em jogo

O primeiro bate-papo foi sobre o Slackline: esporte de equilíbrio que utiliza uma fita de nylon esticada entre dois pontos fixos, permitindo ao praticante andar e fazer manobras.

Para falar sobre o Slackline, os professores convidaram o Bernardo Maia, presidente da Federação Mineira de Slackline com experiência pioneira no esporte em Minas e no Brasil, já tendo organizado diversos campeonatos no estado e no país, além de um festival internacional de Slackline.

Segundo ele, o esporte é divido em quatro modalidades, que variam de acordo com a evolução e com o grau de dificuldade das manobras.  Existem uma grande variedade de estilos de manobras. Como o esporte é novo, surgiu na década de 1980, nos Estados Unidos, muitas manobras ainda estão sendo desenvolvidas.

No Brasil, atualmente, há muita gente praticando o Slackline. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Ribeirão das Neves, por exemplo, o atleta Alisson Ferreira desenvolve um importante projeto social, na Cidade dos Meninos São Vicente de Paulo.  Alisson já foi campão mundial e campeão sul-americano de Slackline.

Parkour: ultrapassando obstáculos

Desenvolvido como um método de treinamento que permite ao indivíduo, ultrapassar de forma rápida, eficiente e segura qualquer obstáculo, utilizando somente as habilidades e capacidades do corpo humano, o Parkour iniciou-se na França, no final da década de 1980.

 O professor de Educação Física Matheus Chaves, instrutor de Parkour, há 10 anos, conversou com as turmas sobre este esporte de aventura.

Segundo ele, o Parkour foi criado por um grupo de garotos que se reunia nas ruas, da periferia de Paris, para praticar o esporte como forma de brincadeira.

Aos poucos, com o aperfeiçoando dos movimentos, os garotos passaram a chamar a atenção das pessoas, que começaram a perguntar o que eles estavam fazendo. Foi então que o grupo batizou o esporte, inicialmente, com o nome de “Arte do deslocamento”. Só mais tarde surgiu o nome Parkour.

Por ser um esporte de rua, em que seus praticantes saltam obstáculos, sobem em espaços públicos, o Parkour já enfrentou muitos preconceitos. “Antes, quando a gente ia treinar, o pessoal olhava com um certo preconceito. Mas, hoje, isso já está mudando. Muitos já conhecem o esporte e sabem que ele traz muitos benefícios”, afirma Matheus.

Segundo ele, o esporte, que antes era quase exclusivamente masculino, conta atualmente com grande participação das mulheres. O encontro feminino de Parkour, realizado em Belo Horizonte no ano passado, teve participação de meninas de diversos locais do Brasil e também do Chile e da Argentina. 

Um reconhecimento importante aconteceu recentemente, quando a Federação Internacional de Ginástica (FIG) adotou o Parkour como uma modalidade de ginástica. Assim, ele deverá constar como modalidade esportiva nas próximas Olimpíadas.

Skate competitivo ganha visibilidade no Brasil

Seja ocupando, cotidianamente, as praças, as ruas, os grandes estacionamentos ou as pistas construídas especialmente para a sua prática, o Skate é um esporte bastante democrático, com baixo custo de investimento e grande facilidade de acesso aos locais de treino.  

Para falar sobre o Skate, os professores Juliana e Roberto convidaram dois especialistas: Silas Eduardo e Welton Machado.

Silas Eduardo é formado em Educação Física e teve o primeiro contato com skate na adolescência, pela influência das revistas da época e o estilo descontraído. Mas, segundo ele, sua primeira experiência real com o esporte aconteceu nos Estados Unidos, trabalhando em um acampamento de verão, onde pode conhecer mais sobre o movimento do skate, que ia além das pistas.  Trabalhou também com projetos sociais envolvendo o skate como esporte, como lazer, na educação e também como meio de reintegração social.

“Para mim, o skate representa a multiplicidade de pensamentos, a inclusão, a união, uma força política real. É um esporte que engatinha, mas que já tem um knowhow gigante”, afirma Silas Eduardo.

Já Welton Machado, graduando em Educação Física, teve o primeiro contato com o esporte aos 11 anos de idade, quando ganhou seu primeiro skate, desde então nunca mais parou. “Comecei a acompanhar o cenário do skatismo, tudo que girava em torno desse mundo, o estilo de vida, campeonatos, atletas e afins”, conta.

Para ele, o skate é muito mais do que um esporte olímpico: ele é amizade, união, superação, uma forma de se expressar, de ver a cidade com olhos diferentes, de inclusão social.

Embora em Belo Horizonte existem vários locais onde se pratica o Skate, os especialistas observam que a maioria das pessoas ainda não o vê como esporte e, sim, como estilo de vida.

O Skate competitivo, no entanto, tem crescido no Brasil, com atletas muito bons, sobretudo, o feminino que tem conquistado as melhores colocações nos campeonatos internacionais. “O movimento das mulheres no skate tem uma importância social muito grande. Sem dúvida alguma o skate, com seus aproximadamente 70 anos, vem como uma ferramenta para a educação e valorização do espaço comum”, afirma Silas Eduardo.

Além disso, o especialista lembra que um grande salto para a modalidade deverá ocorrer em breve, com a estreia do Skate nos jogos olímpicos, a partir do próximo ano.

Uma inspiração para enfrentar os desafios do mundo de hoje

Ao falar sobre as aulas que abordaram os esportes de aventura, a professora Juliana Nahas observou a importância da série como motivação e inspiração para os alunos, tanto na prática de  novas atividades esportivas desafiadoras, dinâmicas e ao ar livre, quanto na busca pelo conhecimento. 

Segundo ela, "a crise pela qual estamos passando nos trouxe uma possibilidade de uma reflexão ainda mais profunda sobre a importância de cuidar das ‘nossas casas’: o planeta, nossa casa comum; nosso lar, onde passamos a ficar grande parte do nosso tempo; e também nosso corpo, morada do nosso espírito nessa travessia pela Terra. Teremos que fazer muitas adaptações em nosso cotidiano para vivermos o ‘novo normal’, e a atividade física não ficaria de fora. As atividades de aventura nos trazem uma oportunidade de uma prática desafiadora, dinâmica e ao ar livre, o que pode servir de fator motivante para muitos dos nossos alunos. Esperamos que eles se inspirem em nossas aulas para uma busca constante pelo conhecimento e pelo movimento!".

Compartilhe