Momento Cívico reflete sobre a liberdade ontem e hoje

Alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio participaram de um momento Cívico,realizado na quinta-feira, dia 20 de abril. Foi um momento de reflexão acerca do que significa a liberdade para Tiradentes, cujo dia é celebrado em 21 de abril, e o que significa a liberdade nos dias atuais.

Foram abordadas questões como: precisamos de heróis para alcançar a liberdade? As ponderações apresentadas pelos professores da Cadeira de História foram que em nosso cotidiano, como seres humanos conscientes e verdadeiros cidadãos, podemos construir essas liberdades visando um Brasil efetivamente democrático, plural e livre para todos.

Ao falar aos alunos sobre o tema liberdade, o diretor Clovis Oliveira abordou, especialmente, três aspectos: o primeiro, a liberdade de expressão, dizendo que ela é importante na vida de todos, mas que não se pode deixar esse tipo de liberdade ferir os direitos individuais. O segundo aspecto foi sobre a necessidade ou não de heróis para alcançar a liberdade. Segundo ele, não precisamos de heróis com superpoderes, mas sim de pessoas cujos valores sejam referenciais em nossas vidas. E, por último, lembrando o exemplo de Tiradentes que lutou por uma causa na qual acreditava, o Professor Clovis convidou a todos a refletirem sobre quais são as causas pelas quais dedicamos hoje as nossas vidas.

No final, os alunos expressaram seus conceitos de liberdade, tais como: Liberdade ainda que tardia, é defender aquilo que acredita sem receios (Isabel Viana pires de Andrade - 7º Ano F e Thiago Machado França - 7º Ano E); Liberdade é poder ser quem você quiser sem medo (Fernanda Nogues – 1ª série F e Rodrigo Rocha – 1ª série F); Liberdade é poder ser quem eu quiser (Roberto – 3ª série B e Paula Gomes – 3ª série A).

 

Texto do momento Cívico: Tiradentes lutou pela liberdade de quem?

A Inconfidência foi um movimento separatista que ocorreu em Minas Gerais no final do século XVIII. Um pequeno grupo de homens pertencentes à elite colonial reuniu-se em segredo. O objetivo era conseguir separarem-se de Portugal e fundarem uma República independente. Após serem descobertos, os participantes foram presos, mas apenas um, Joaquim José da Silva Xavier, foi executado no largo da Lampadosa, no Rio de Janeiro, a 21 de abril de 1792.

A cerimônia pública reuniu vários moradores da capital da Colônia para testemunharem a pena imposta ao alferes por conspirar contra a Coroa Portuguesa. A execução, extremamente violenta, marcou parte daqueles que a presenciaram, porém, a lembrança daquele homem executado foi se perdendo ao longo do tempo.

Quase um século depois, os republicanos, ao destituírem o sistema monárquico, em 1889, buscaram, na memória popular, o que ainda restava sobre aquela violenta execução, e fizeram daquele condenado por traição à Coroa Portuguesa o grande herói nacional. Foram construídos monumentos, criados hinos, bandeiras e uma data em sua homenagem. O movimento da Inconfidência Mineira ganhou, na memória oficial, um líder e um projeto de liberdade. Era Joaquim José da Silva Xavier, o defensor da liberdade do Brasil. Portanto, o dia 21 de Abril seria o dia de nos lembrarmos de um herói que lutava pela liberdade do povo brasileiro.

Hoje, os estudos demonstram que a liderança do movimento não estava nas mãos do simples alferes e os gloriosos ideais de liberdade não se referiam a todo o território brasileiro e, muito menos incluíam os escravos. Esses estudos levam a uma ressignificação da data, fazendo-nos pensar em qual liberdade os inconfidentes sonhavam para o Brasil e com quais liberdades nós, nos dias de hoje, podemos sonhar. Se queremos apenas liberdades comerciais e econômicas, como aqueles mineradores e comerciantes desejavam, ou se queremos ir além... E, principalmente, se precisamos de heróis para conquistarmos essas liberdades ou se podemos, no nosso cotidiano, como seres humanos conscientes, verdadeiros cidadãos, construir essas liberdades visando a um Brasil efetivamente democrático, plural e livre para todos.

 Cadeira de História -  abril de 2017.