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23 de julho de 2020

O patrimônio cultural e a derrubada de monumentos em diferentes países do mundo

Um mergulho na história do Patrimônio cultural, da memória e da atual “questão dos monumentos” no Brasil e no mundo.  Foi esta a proposta da aula on-line ao vivo de História, da professora Renata Andrade, realizada nos dias 15 e 17 de julho, respectivamente, com os alunos da 1ª e da 3ª série do Ensino Médio.

Para refletir sobre o assunto, foi convidado o professor Raul Amaro de Oliveira Lanari, doutor em História, professor do Departamento de História - UNI-BH e consultor da UNESCO na área do Patrimônio Cultural.

Ao se perguntar: pra que servem os monumentos? Raul Lanari lembrou que, na Antiguidade Clássica, os templos Egípcios tinham como finalidade homenagear os Deuses em troca de fartura e prosperidade. Já na Grécia,valorizavam a arte e a perfeição humana. Enquanto que em Roma, eram utilizados para afirmar o poder dos Imperadores.

Na idade Média, no entanto, havia pouco interesse pela arquitetura clássica e os templos religiosos, que foram demolidos ou reconfigurados para novos usos.

O interesse pelas obras de arte e ruínas ressurgiu, porém, no Renascimento, com grande valorização dos artistas e da história da arte.

Mas, somente no século XVIII, com a Revolução Francesa, teve início a discussão sobre o “bem comum” e o “público”, com grande estímulo aos monumentos e ao patriotismo dos cidadãos ativos.

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Século XX: novos olhares para o patrimônio

“Os monumentos vão e vêm e as interpretações sobre eles também mudam”,  afirmou o professor, observando queno Século XIX foram criados os primeiros serviços de preservação do Patrimônio Histórico e Artístico.

No vídeo, abaixo, o professor fala sobre o conceito de “Patrimônio Histórico e Artístico” e expansão, no mundo todo, das agências de proteção aos monumentos. Confira:

Por que alguns monumentos estão sendo derrubados?

A discussão sobre a derrubada de alguns monumentos, que vem ocorrendo em diferentes países, foi também tema de reflexão na aula do professor Raul Lanari.

De tempos em tempos, os monumentos voltam ao centro da atenção devido a ações que contestam sua validade (pichações, depredações e derrubadas). Mas, para além de julgar se este tipo de atitude está ou não correta, é preciso refletir sobre o que tais monumentos representam”, afirmou o professor.

Como exemplo, ele lembrou a crise causada pelo assassinato de George Floyd Jr, por um integrante da Polícia de Minneapolis, Estados Unidos e o surgimento das manifestações nas ruas, que questionaram o racismo existente na sociedade estadunidense.

Nessas manifestações, estátuas e símbolos associados ao escravismo estadunidense foram depredados ou queimados. As manifestações nos Estados Unidos inspiram outros movimentos, na Europa e nas Américas, que passaram a também questionar o que consideram violências físicas e simbólicas reforçadas por alguns monumentos (não todos!).

“Quem os monumentos derrubados ou depredados homenageavam?”, perguntou o professor. Segundo ele, a história analisa as depredações e derrubadas de monumentos como questionamentos às memórias “oficiais” diante de tensões do presente. É o presente que leva grupos a quererem rever as interpretações a respeito do passado.

Assim, historiadores e historiadoras se perguntam: em que medida as celebrações de eventos e processos traumáticos contribuem para a construção de uma sociedade que faça mais justiça a seu passado?”.

Questionado, por um aluno, se seria correto julgar o passado com conhecimentos atuais, Raul Lanari explicou que não se trata de julgar a história, e sim, analisar o presente, como cidadãos, e julgar o papel que tais monumentos têm na construção de uma sociedade mais justa.

E concluiu: “ao invés de derrubar os monumentos, melhor seria se pudéssemos usá-los para nossa reflexão. No Leste Europeu, por exemplo, construíram um grande parque onde guardam alguns monumentos como retratos de um tempo que já passou. Tal exemplo poderia ser seguido por outros países”.

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