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20 de novembro de 2020

Nutrição e saúde: como ter uma vida saudável

Dietas, perda de peso, alimentação saudável. Foram esses os principais temas abordados pelo nutricionista Pedro Miguel Romão Simões - membro da ISAK nv.1, nosso ex-aluno, na aula online, ao vivo, de Educação Física, organizada pelos professores Cristiano Jardim (Xingu) e Renata Ranieri.

Confira o bate-papo realizado a partir de perguntas enviadas pelos alunos.

O que você acha destas dietas que estão sendo divulgadas hoje na internet, principalmente pelas blogueiras?

Em relação a dietas, tem muita gente divulgando muitas coisas. Existe um lado bom que é o fato de a nutrição estar no ápice. Querendo ou não, isso incentiva boas práticas como, por exemplo, a atividade física e uma alimentação melhor. O problema é que falam também muitas bobagens, muitas coisas que não são verdadeiras, só por interesse comercial. Acho que a melhor maneira de discernir entre o que é bom e o que é ruim é evitar os extremos. Na alimentação, nada é extremo a ponto de ter de excluir algo para sempre ou apontar que esse ou aquele é o melhor alimento do mundo. Para tudo existe um contexto. Por isso, é importante ouvir sempre as pessoas formadas na área que, certamente, poderão orientar melhor em cada situação.

A perda de peso é um desejo comum entre várias pessoas, que acabam optando por dietas rigorosas. Qual é a sua opinião sobre a dietas severas?

Para perder peso, não necessariamente a pessoa precisa fazer uma dieta severa, extrema ou difícil. É necessário, sim, uma certa regulação. Mas essa regulação não tem sempre que ser algo sofrido. É possível perder peso com pequenas mudanças no dia a dia, a partir de um controle um pouco maior da alimentação.  Muitas vezes o paciente vem consultar comigo e eu não mexo nada na dieta dele.  Mas ele começa a perder peso a partir do momento que deixa de “beliscar”, comer doce ou chupar balas todos os dias. A organização da alimentação faz toda a diferença. Para quem quer perder peso, é importante ter essa regulação até mesmo nos fins de semana. 

Naturalmente, a pessoa que está mais tempo em casa, como está acontecendo nesse período de pandemia, tende a relaxar um pouco nessa regulação. Você tem alguma dica de como enfrentar melhor as tentações do ifood?

Essa é uma questão complicada porque no ifood encontra-se de tudo. O que eu recomendo é procurar alimentos de mais qualidade. Por exemplo, se a pessoa quer um hamburger, que procure então os artesanais, que têm menos gordura.

Em relação a ficar mais tempo em casa e ter mais acesso a comida, recomendo tentar manter distância de certos alimentos. Não deixar balas, biscoitos e chocolates expostos. Trocar os biscoitos e chocolates por frutas porque a tendência é a gente comer o que está mais à vista. Outra questão é que muita gente compra mais quantidade de alguns alimentos pensando em economizar, mas acaba não economizando porque come mais. Além disso, é preciso ter consciência e estabelecer alguns limites.

Existem alguns alimentos que a gente acha que são saudáveis mas que, de fato, não são?

É difícil apontar os alimentos que não são saudáveis porque eles são muitos. Mas, um exemplo, são as barrinhas de cereal. A maioria delas tem muito açúcar. As mais saudáveis são mais caras e, no dia a dia, muitas vezes ficam inviáveis. Outros exemplos são a granola, os iogurtes e o Yakult, pelo mesmo motivo: a maioria contém muito açúcar. No caso do Yakult muitos tomam porque tem probióticos, mas os seus benefícios são menores do que os malefícios causados pelo açúcar.

Para quem gosta de doce, qual chocolate não engorda muito?

Em termos de calorias, eles são todos parecidos. O que muda é que alguns fazem bem para a saúde e outros não. Os chocolates que possuem mais de 70% de cacau são saudáveis. Já os chocolates normais, ao leite, meio amargo, prejudicam a saúde. Quanto a engordar ou não, o que determina é a quantidade ingerida. Se a pessoa pensar que o chocolate com 90% de cacau é ruim de gosto, ela vai comer menos e engordar menos.

Em relação aos doces, é importante observar que o nosso corpo lida melhor com o açúcar e com os doces de modo geral, pela manhã e também após a atividade física porque altera menos a glicemia. É importante também procurar ingerir o doce próximo a alguma refeição para evitar alterações na glicose.

Quais são os reais benefícios da água para o corpo humano?

O nosso corpo é composto 80% de água e tudo o que acontece nele ela está envolvida. O corpo é inteligente e seleciona o que é mais importante para a sobrevivência. Assim, se você bebe menos água, ele começa a economizar. Fica mais difícil ir ao banheiro, as fezes ficam ressecadas, o xixi mais escuro, você pode ter problema de rins, de digestão, de sono, não há ganho de massa muscular, fica difícil conseguir fazer atividade física. Portanto, a falta de água no organismo atrapalha uma série de coisas.

O adolescente, que quer ganhar peso, pode tomar suplemento alimentar? Se sim, o que você recomenda?

É preciso pensar que o suplemento tem como objetivo complementar algo que falta. Se você se alimenta bem, talvez não seja necessário nenhum suplemento porque você não vai suprir nada. A gente poderia suplementar carboidratos ou proteínas, mas não necessariamente isso vai ter algum efeito positivo, muitas vezes você estará somente consumindo calorias a mais. Mas, se o adolescente desejar, ele pode, sim, consumir suplementos como proteínas, carboidratos, creatina, cafeína, talvez. Só que não é possível eu recomendar um ou outro suplemento, falar de quantidades aqui. Esta é uma questão individual.  No entanto, é importante saber se há necessidade. Muitas vezes é melhor comer o alimento do que tomar suplementos.

Os jovens podem se tornar veganos ou vegetarianos sem que isso traga alguma deficiência para a sua saúde?

Sim, qualquer um pode se tornar vegetariano ou vegano sem problemas, se for bem ajustado. Os vegetarianos consomem ovo, leite e por isso geralmente não sofrem deficiência alimentar.  No caso dos veganos, é necessário um cuidado maior porque existem algumas vitaminas como a B12, por exemplo, que a gente não encontra nos vegetais e, por isso, é necessário haver suplementação. Além disso, é preciso ter cuidado com a adequação. Nos vegetais a gente não encontra muitos nutrientes em grande quantidade em um só alimento. Então é necessário diversificar bastante e sempre complementar um alimento com o outro. Para ter um padrão legal.  

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