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28 de setembro de 2020

César Casamajó: um bate-papo sobre o Jiu-jítsu e as lições que aprendeu com ele

Os professores Cristiano Jardim (Xingu) e Renata Ranieri realizaram mais uma aula especial online, ao vivo, de Educação Física, desta vez com a participação do atleta de Jiu-jítsu, César Casamajó, ex-aluno do Colégio.

César Casamajó teve seu primeiro contato com a Arte Marcial aos quatro anos de idade, por meio do judô. Aos seis anos, veio estudar no Santo Agostinho e começou a participar da equipe de Judô do Colégio. Participava também da equipe de basquete.

Há 18 anos, começou a praticar Jiu-jítsu e nunca mais parou. “Com as competições de Jiu-jítsu, tive a oportunidade de conhecer o mundo inteiro. Atualmente moro no Havaí (Estados Unidos), como eu sempre quis. Aos 15 anos, eu liguei para o meu professor, que já morava no Havaí, dizendo a ele que o meu sonho era vir morar aqui. Na época, ele me disse que eu ainda estava novo e que a minha realização teria de fazer parte de um processo. 10 anos depois, com muito esforço, meu sonho se concretizou. Acreditar e lutar por aquilo que a gente quer faz toda a diferença. Quando eu era criança e escutava alguém dizer isso, achava que era papo-furado. Hoje vejo que não era, é realmente assim”, afirma o atleta.

César Casamajó conta que, por meio do esporte, conseguiu entender que tudo exige esforço e leva muito tempo. “Somos muito ansiosos, hoje em dia tudo é muito rápido, eletrônico e descartável mas, na realidade, para alcançar os resultados, não é assim que funciona. Como atleta, posso afirmar que esta profissão é uma das mais difíceis do mundo. Claro que tem um lado muito bom que é fazer o que a gente gosta, mas é necessário se privar de muitas coisas”.

Xingu, que foi professor do César no Colégio, se lembra bem do empenho e da dedicação do aluno aos esportes.  Se hoje existe o conteúdo “luta” no Santo Agostinho, muito se deve ao esforço do César, como estudante. Depois de me questionar porque não tínhamos esse conteúdo, um dia ele se ofereceu para dar uma aula para os colegas. A iniciativa deu tão certo que adotamos o conteúdo e, desde aquela época, ele participa conosco, desse projeto no Colégio.

 

Um caminho que foi sendo construído

No bate-papo com os professores, César Casamajó também respondeu diversas perguntas, dos professores e dos alunos:

A maioria dos atletas do Jiu-jítsu permanece no Jiu-jítsuou migra para o MMA?

O Jiu-jítsu é um esporte completamente diferente do MMA.  Não acho que é muito comum o atleta de Jiu-jítsu ir para o MMA. É comum a junção do Jiu-jítsu com o MMA, já que o MMA é uma combinação de estilos de lutas e para praticá-lo é necessário treinar Jiu-jítsu. É comum saber os dois e treinar os dois. Mas não é comum o pessoal do Jiu-jítsu migrar para o MMA, isso não. 

No Brasil ainda não temos acesso a muitas lutas. Por que determinas lutas não são difundidas no país?

É complexo dizer porque isso acontece. Acredito que as razões vão desde questões econômicas até questões culturais. Como professor, sinto que nos Estados Unidos há uma grande credibilidade do esporte e dos professores, um grande respeito pela arte marcial, esse reconhecimento faz diferença. Penso que a pouca divulgação da arte marcial no Brasil ocorre também devido à forma como muitas academias a abordam, a maneira como ela é apresentada, desde a organização, a uniformização, os horários, a limpeza até o respeito e as normas. Acredito que a abordagem nos países de primeiro mundo é mais profissional. Até porque, no Brasil,as academias que fazem um trabalho mais profissional dão muito certo.

O que o Jiu-jítsu transformou em sua vida?

Aprendi a lidar comigo mesmo, com os meus pensamentos. Na arte marcial, muitas vezes, a gente aprende a lutar fora da zona de conforto. Aprende a perder e a recomeçar. Aprende que vencer não é só ganhar e que existe sempre uma forma respeitosa de como vencer e de como perder. Enfim, aprendi que não são as situações externas que definem quem eu sou, mas sim a forma como realmente sou e como eu me apresento.

Quando você decidiu que seria um atleta profissional?

Penso que é importante a gente amar o processo. Como um bebê, quando a gente começa uma arte marcial a gente mal sabe andar mas, com o passar do tempo, vamos vendo e sentindo as possibilidades, como acontece também nas outras profissões, no início é difícil saber o que se pode esperar.  Para mim, o caminho de atleta foi acontecendo. Fui treinando, viajando e descobrindo que era isso o que eu queria fazer. Na verdade o caminho foi sendo construído.

Quais foram os momentos mais difíceis que você encontrou em sua profissão?

Não consigo apontar um momento mais difícil. Eu diria que existe um fator na vida do atleta que é bastante difícil: o fato de ter de fazer, muitas vezes sem querer, dietas extremas, treinos intensos, quando a gente já está cansado, mas tudo isso faz parte da profissão e, como eu já disse, é preciso amar o processo. Existem também as lesões, mas a meu ver tudo isso deve ser encarado como aprendizado.

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