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20 de outubro de 2020

Karlyle - técnico do Paris Saint-Germain fala aos nossos alunos

Mais uma aula de Educação Física, online, ao vivo, foi organizada pelos professores Cristiano Jardim (Xingu) e Renata Ranieri, com a participação de um convidado especial. Desta vez, quem falou aos nossos alunos da 1ª série do Ensino Médio foi Eduardo Karlyle Vasconcellos, técnico do conhecido e admirado time de futebol francês, Paris Saint-Germain 2, uma espécie de 2º time do clube.

Karlyle foi jogador profissional no Brasil; fez faculdade de Educação Física na UFMG; trabalhou na Escola de Esportes Espasso - do Colégio Santo Agostinho, na base do Clube Atlético Mineiro e no Centro Zico.

Em 2012, depois de concluir seu mestrado na França, começou a trabalhar no Paris Saint-Germain, inicialmente com a categoria sub 12. Depois passou para as categorias sub 14 e sub 17. Paralelamente, sempre atuou como técnico da equipe sub 23, que é a equipe de reservas do Paris Saint-Germain, e tem a mesma função da equipe de transição no Brasil.

Na aula, ao vivo, com os nossos alunos, o treinador falou sobre sua decisão de viver na Europa, os desafios enfrentados fora do Brasil e a importância da perseverança para alcançar os objetivos traçados. Confira:

Como se deu sua ida para a França?

Eu sempre ouvia dizer que o futebol na Europa é muito bem organizado (o que é mesmo verdade) e queria saber como funcionava essa organização. Vim passar um mês de férias em Paris e me apaixonei pela cidade. Então decidi vir fazer o mestrado. Na época, eu não falava nada em francês, por isso precisei primeiro aprender a língua. Foi um ano de aprendizado intensivo. Depois, fiz dois anos de mestrado, fiz curso de técnico porque quem não tem diploma de técnico daqui, não consegue trabalhar nas equipes.

Como técnico, você tem contato com muitos atletas. Fale um pouco sobre a experiência de um atleta fora do Brasil.

Não é nada fácil. Alguns jogadores conseguem se adaptar rapidamente, superando os obstáculos, mas outros têm um pouco mais de dificuldade. Para mim, um dos aspectos fundamentais é conseguir se integrar de forma correta na cultura do país. Existem muitos problemas, por exemplo, com o idioma, com o clima frio da Europa...  além disso, aqui as pessoas são mais fechadas, a alimentação é diferente e ainda existem as diferenças sociais, a forma como as pessoas são criadas, que é muito diferente do Brasil”.

Entre os próprios jogadores há algum tipo de preconceito cultural?

Nós, brasileiros, temos sorte porque o Brasil é taxado como o país do futebol, pelo fato de ter sempre revelado grandes jogadores: Pelé, Bebeto, Romário, Ronaldo, Neymar. O Brasil já ganhou muitos títulos, temos cinco Copas do Mundo. Por causa disso, o jogador brasileiro é respeitado e até um pouco cobiçado por aqui. Não é todo brasileiro que tem esse mesmo nível de futebol, mas de forma geral todos são respeitados.

Mas existe outro tipo de preconceito contra o qual a FIFA tem lutado, que é o racismo. Infelizmente, o racismo está presente em muitos países, e também no Brasil. Aqui, a diferença é que não há impunidade, se alguém fala alguma coisa, imediatamente o mundo todo fica sabendo.

Como se dá a relação dos atletas da equipe de transição do Paris Saint-Germain com os atletas da equipe principal?

Como ocorre no Brasil, aqui também existem treinos entre as equipes. O que muda um pouco é que, atualmente, o plantel da equipe principal do Paris Saint-Germain é algo extraordinário. Só tem jogadores de seleção. Então, quem está na equipe de transição não tem muita oportunidade de entrar na equipe principal.  A única oportunidade é que a UEFA tem uma lei que determina que cada clube é obrigado a ter pelo menos quatro jogadores formados em casa.

Outra questão é que o elenco da equipe principal é grande:  são entre 27 e 28 jogadores. Então, sobra pouca oportunidade para a equipe de transição. Os treinos juntos também não acontecem. O que ocorre é que se um dia a equipe principal jogou e a equipe de reservas precisa treinar, então jogam os reservas com a equipe de transição.

Como funciona o trabalho dos “olheiros” do Paris Saint-Germain para a capacitação de atletas pelo mundo?

 A capitação é um pouco parecida com o que acontece também no Brasil. Existe uma equipe de “olheiros”, observadores técnicos, que acompanham as partidas, observam os atletas.  Mas o grande diferencial hoje é a tecnologia, que evoluiu demais. Aqui da Europa ou de qualquer lugar do mundo a gente tem informações de atletas de outros países que estão se destacando. Por exemplo, aqui da França, do Paris Saint-Germain, é possível a gente ficar sabendo que tem um atleta do infantil, do América mineiro, que está se destacando. Podemos ver imagens, lances, gols... Isso facilita demais.

Outra questão importante que se analisa muito hoje em dia, e que não se fazia antes, é o aspecto social, o fora de campo do jogador: se a família é estruturada, se ele é responsável ou se é daqueles que gosta de farra, de bagunça, tudo isso conta muito nos dias de hoje.

Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou ao chegar na Europa?

No início foi difícil: a aprendizagem do idioma, conhecer pessoas, trabalhar, a alimentação diferente, o frio...  como eu disse anteriormente, ou a gente passa por cima disso tudo e segue em frente ou a gente desiste. Não é fácil mas a partir do momento que a gente enfrenta os desafios  é possível seguir em frente.

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