Departamento de Educação Física

Compartilhe

EDUCAÇÃO FÍSICA COMO ÁREA DE CONHECIMENTO ESCOLAR


O Colégio Santo Agostinho compreende a Educação Física como um componente curricular, o que significa que a disciplina possui uma especificidade de conhecimentos a serem ensinados e aprendidos na escola. Além disso, essa especificidade implica uma seleção de conhecimentos que, organizados e sistematizados, devem proporcionar ao educando um processo de apropriação e reflexão crítica acerca de uma dimensão da cultura. Como nos lembra Forquin (1993, p.13) , a “cultura é o conteúdo substancial da educação, sua fonte e sua justificação última”, sendo de responsabilidade da escola “transmitir e perpetuar a experiência humana considerada cultura”.

Perguntamos então qual parcela da cultura ou da experiência humana a Educação Física se encarrega de transmitir? A Educação Física está na escola e como um componente curricular é responsável por tratar pedagogicamente das práticas corporais produzidas pelos seres humanos ao longo de sua história cultural – jogos; esportes; ginásticas; dança; lutas -, tendo em vista a melhoria da qualidade de vida, o exercício da cidadania, a garantia do direito do aluno de conhecer e usufruir as práticas corporais disponíveis na cultura, bem como de se educar para o lazer, de maneira que possam agir de forma autônoma e crítica (SOUSA 2004, p.45 e VAGO, 2006 ).

Quando optamos pelo estudo das práticas corporais produzidas pelos seres humanos ao longo de sua história cultural, estamos reafirmando a cultura como um conceito importante nesta proposta. Esse conceito abre a Educação Física para outros saberes, outras ciências (outras interpretações) e amplia nossa visão dos conteúdos a serem tratados. Eleger a cultura como um conceito essencial não exclui pensar e considerar que compartilhamos um patrimônio biológico universal, que faz com que todos nós sejamos membros da mesma espécie. Somos, ao mesmo tempo, natureza e cultura; dessa forma, não só a cultura - que se expressa no corpo e por meio dele -, é importante, mas também os conhecimentos referentes ao corpo em movimento, necessários para um movimentar-se com maior entendimento e autonomia (DAOLIO, 2002 ; BRACHT, 2005 ).

Também concordamos com Elenor Kunz (1994) ao afirmar que o movimento humano como linguagem é sempre uma conduta para algo. Nessa perspectiva, jogar, dançar, nadar ou correr – práticas corporais realizadas no contexto da Educação Física – não são simples reações a estímulos, mas um diálogo entre Homem e Mundo; elas guardam, por isso, estreitas relações com seus contextos de origem e de vivência, nos quais os sentidos mais diversos lhes são dados.

Por fim, a Educação Física aqui proposta, compromete-se com a promoção de vivências lúdicas caracterizadas pela diversificação cultural e interações compartilhadas, promotoras da autonomia, curiosidade, criatividade e alegria dos sujeitos envolvidos. Práticas culturais compreendidas como espaços de produção e vivência de valores, campo de atividade educativa e exercício da liberdade, da crítica e da criatividade. Essas são indispensáveis às descobertas sobre o corpo e a cultura corporal, ao exercício da participação, da cooperação e autogestão na organização e no usufruto das atividades.

 

PROCESSO DE AVALIAÇÃO

 

Concebemos como procedimentos de avaliação não apenas os testes ou provas, mas qualquer atividade de ensino que permita ao professor refletir sistematicamente sobre os avanços e as dificuldades da turma e sobre as necessidades de revisão e redefinição da sua prática. Dessa forma, a avaliação do desempenho em Educação Física é parte integrante do processo ensino-aprendizagem; intencional, sistemática e continua; contribui para uma aprendizagem efetiva dos alunos; antecede, acompanha e finaliza o trabalho pedagógico.

Inicialmente os alunos passam por uma avaliação diagnóstica que visa verificar o nível de conhecimento prévio dos alunos, suas habilidades, competências e seus interesses. Durante o processo de ensino-aprendizagem o aluno passará por avaliações formativas com o intuito de averiguar se e como o aluno está aprendendo, desenvolvendo suas habilidades e quais as dificuldades enfrentadas. E ao final de cada etapa o aluno passará por uma avaliação somativa para detectarmos o que aluno aprendeu, se as habilidades e as competências desenvolvidas são satisfatórias, quais são as dificuldades apresentadas, e como estão seus comportamentos e atitudes.

As avaliações lançam mão de diversos recursos e instrumentos para colher dados sobre os alunos, professor, a relação entre eles e o processo de ensino-aprendizagem, tais como: entrevistas; observações; testes provas; exercícios; trabalhos em grupos; pesquisas; autoavaliação; portfólio; jogos; conversa com os alunos, dentre outras. A diversificação de instrumentos avaliativos nos permitir ampliar o nosso olhar sobre o aluno e o processo, bem como, nos permite avaliar as diferentes dimensões do conhecimento.

Durante todo o processo avaliamos o desenvolvimento do conhecimento em três dimensões: A dimensão conceitual, referente ao que se deve saber; a dimensão procedimental, referente ao que se deve saber fazer; e a dimensão atitudinal, referente ao como se deve ser. Nesse sentido, os conteúdos englobam diferentes dimensões do conhecimento que serão estimuladas e avaliadas durante todo o ano letivo. A avaliação dessas três dimensões nos permite ter uma visão mais ampla do processo de ensino, bem como de formação do aluno.